10 de out de 2006

Plano de vôo confirma que piloto do Legacy errou, afirma a polícia



O plano de vôo do jatinho Legacy previa que o avião voasse a 37 mil pés (cerca de 12 km de altura) de São José dos Campos (SP) a Brasília, baixasse a 36 mil pés, após passar por essa cidade, e subisse a 38 mil a partir de um ponto da carta de aviação chamado Teres. Esse ponto fica a menos de 15 minutos, na velocidade do avião, do local onde houve a colisão entre Legacy e o avião da Gol.

As informações são do delegado da Polícia Civil Luciano Inácio da Silva, que conduz as investigações na esfera estadual em Cuiabá (MT). Há também um inquérito aberto pela Polícia Federal em Mato Grosso. Silva recebeu no sábado, da Embraer, fabricante do jatinho, o plano de vôo. Segundo o delegado, o documento mostra contradições com os depoimentos do piloto Joseph Lepore, 42, e do co-piloto Jan Paul Paladino, 34, prestados à Polícia Civil logo após o acidente.

Os dois disseram que mantiveram uma altitude de 37 mil pés, seguindo à risca o plano de vôo. Silva diz que o plano não previa a manutenção da altitude. Seu próximo passo nas investigações será ouvir os controladores de vôo. Ele também afirmou que tomará novo depoimento de Lepore e Paladino para esclarecer as contradições. Conforme o delegado, mesmo com o plano de vôo prevendo a subida a 38 mil pés, o piloto não poderia passar a essa altitude sem antes pedir autorização dos controladores de vôo. O piloto disse que a aeronave perdeu contato com os controladores de vôo.

Ontem Silva entregou o plano de vôo ao delegado federal Renato Sayão. Silva disse que fez um acordo com Sayão para manter uma mesma linha de investigação. Até a Justiça Estadual decidir, a Civil mantém o inquérito, embora o diretor-geral, Romel Luiz dos Santos, entenda que o crime envolvendo aeronaves seja federal.

Sayão deve conduzir o inquérito em Brasília. Segundo ele, a PF tem autonomia para ouvir os controladores de vôo, ou seja, não depende de autorização da Aeronáutica.

O piloto e o co-piloto do jatinho já deram duas versões divergentes para as razões do acidente. Nos depoimentos que prestaram à Polícia Civil de Mato Grosso, na madrugada do último dia 2, disseram que subiram a 37 mil pés logo que deixaram o aeroporto de São José dos Campos e mantiveram essa altitude até a colisão, já no espaço aéreo de Mato Grosso.

Lepore e Paladino afirmaram que em nenhum momento desviaram dos parâmetros do plano de vôo (como altitude e aerovia selecionada) que havia sido definido pela Embraer, fornecedora do jatinho.

Na semana passada, o advogado contratado para defender os tripulantes do jatinho no Brasil, José Carlos Dias, deu uma justificativa diferente. Segundo ele, os tripulantes não se sentiram autorizados a mudar a altitude após várias tentativas sem sucesso de entrar em contato com o centro de controle aéreo de Brasília.

Lepore e Paladino disseram aos diretores da ExcelAire (proprietária do jatinho) que as práticas aeronáuticas nos Estados Unidos proíbem mudança de altitude sem conhecimento do controle de radares.
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