27 de ago de 2006

3,7 milhões de alunos fazem Enem neste domingo

Renata Cafardo


SÃO PAULO - Mais um recorde. São quase 4 milhões de inscritos neste ano para fazer, neste domingo, 27, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), um crescimento de 24% em relação a 2005. A prova existe desde 1998 e é a avaliação mais elogiada por educadores e de maior adesão dos alunos entre as realizadas pelo Ministério da Educação (MEC). O Enem não é obrigatório para ninguém, mas garante pontos em vestibulares e é imprescindível para conseguir bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni).

O exame foi o primeiro do País a ser feito de forma interdisciplinar e influenciou um modelo que a Fuvest pretende iniciar neste ano. Pode ser feito tanto por quem termina agora o ensino médio quanto por quem já terminou em anos anteriores. “É uma prova de interpretação e compreensão de texto, principalmente”, diz a professora do Curso e Colégio Objetivo Vera Lúcia da Costa Antunes. Segundo ela, é por meio do texto que os alunos aplicam o que aprenderam durante todo o ensino médio, em todas as disciplinas.

O último Enem trazia matérias de jornais sobre o trabalho infantil, um poema de Carlos Drummond de Andrade, outro de Mario de Andrade. Era pedido também para que os estudantes interpretassem tiras de quadrinhos, gráficos sobre a variação do dólar e tabelas sobre a população em vários países.

Para o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep/MEC), Reynaldo Fernandes, o recorde de participação é importante principalmente porque aumentou o número de inscritos que concluem neste ano o ensino médio. Mais de 2,1 milhões de jovens desse grupo se inscreveram para participar da prova. Considerando uma estimativa de 2,4 milhões de estudantes no último ano do ensino médio, conclui-se que o exame está quase universalizado. O restante de inscritos é de alunos que terminaram a escola em anos anteriores.

Substituição do vestibular

Fernandes acredita que ainda demorará até que o exame possa substituir totalmente o vestibular, como foi pensando desde a sua criação pelo ex-ministro Paulo Renato Souza. “Para isso, é preciso ter a certeza da continuidade do exame”, diz. O presidente do Inep gostaria que o Enem funcionasse como o Scholastic Aptitude Test (SAT), a prova nacional americana feita pelos que terminam a escola e querem ingressar na universidade.

O Enem começa às 13 horas, mas é preciso chegar uma hora antes aos locais de exame. O Estado com o maior número de inscritos é São Paulo; há mais de 1 milhão de participantes. Nos vestibulares das três maiores universidades paulistas - USP, Unesp e Unicamp - a nota do Enem acrescenta pontos ao resultado. “A prova é mais fácil que a da Fuvest e ainda ganho pontos no vestibular. Vou tentar acertar pelo menos umas 50 questões”, diz a estudante Nicolle Coelho, de 19 anos. A prova tem 63 perguntas e dura cinco horas. Com uma boa nota, o estudante carente pode conseguir também uma vaga em universidades particulares que aderiram ao ProUni, dando bolsas em troca de isenção fiscal.

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