28 de nov de 2006

Wal-Mart deve vender produtos pela internet a partir de 2007

Vicente Trius, presidente da rede, diz que '2007 será um ano histórico' para a empresa no País

Vera Dantas, Lorena Vieira

A venda pela internet é uma das novas prioridades do Wal-Mart no Brasil. A rede já tem um grupo estudando o comércio eletrônico e deverá montar sua loja virtual a partir de 2007. Assim como ocorre nas ruas, o Wal-Mart disputará espaço com o Pão de Açúcar e o Extra.com, que devem investir mais nas vendas pela internet. Outro concorrente de porte que o Wal-Mart deve enfrentar será a Americanas. com, que acaba de acertar uma fusão com o Submarino, criando a maior loja de comércio eletrônico da América Latina.

Além de montar a operação virtual, o presidente do Wal-Mart, Vicente Trius, espera que, em 2007, a rede acelere ainda mais o ritmo de crescimento no País. 'Será um ano histórico, vamos abrir 28 lojas', disse. Sua expectativa é que a rede obtenha em 2007 um desempenho superior ao deste ano.

Sem revelar números, Trius informou que em 2006 a empresa vem registrando um crescimento nas vendas em comparação com o ano passado - isso, mesmo sem contar as lojas abertas neste ano. O resultado contrasta com os números apresentados nos Estados Unidos, onde a companhia informou no fim de semana que prevê queda nas vendas de 0,1% em novembro, o primeiro recuo desde 1996.

INVESTIMENTO RECORDE
No Brasil, o Wal-Mart investirá R$ 850 milhões no próximo ano, para abrir 28 novos pontos-de-venda em todos os formatos - de lojas populares com a bandeira Todo Dia à rede de atacado Sam's Club. É o maior investimento já feito pela rede americana desde que chegou ao Brasil, em 1995. Em 2006, a empresa investiu R$ 600 milhões para abrir 14 lojas.

Ao mesmo tempo em que investe em lojas de rua, o Wal-Mart estabeleceu como prioridade para 2007 o comércio virtual. 'Queremos entrar no e-commerce. Mas não vimos isto antes porque tínhamos outras prioridades na mesa, que eram as aquisições e integrações das empresas', disse Trius,referindo-se à compra das redes Bompreço e Sonae nos dois últimos anos.

Hoje, disse Trius, o Wal-Mart só não vende produtos pela internet no Brasil, Argentina e Japão. 'Temos oportunidades. Estávamos um pouco devagar', admitiu, sem querer entrar em detalhes. A rede Sonae já tem operações de comércio eletrônico que estão sendo estudadas pelo Wal-Mart.

A área de e-commerce ficará na divisão especial do grupo, que está há duas semanas com um novo vice-presidente, o executivo Carlos Fernandes, que veio da consultoria Accenture. A divisão especial era comandada por Eduardo Gouvêa, que deixou a empresa há um mês. Fernandes irá ocupar uma área estratégica para o Wal-Mart, que abrange farmácias, restaurantes,postos de gasolina e lojas de revelações digitais. Hoje, o Wal-Mart possui 114 farmácias, três postos e sete restaurantes.

REGIONALIZAÇÃO
Outra estratégia que a rede decidiu reforçar é a da regionalização. 'Claro que existem sinergias na rede, como em logística. Mas, pelas dimensões do País, não podemos esquecer do peso das marcas regionais', disse. Para administrar essa regionalização, a rede tem escritórios em Recife, Salvador, Curitiba e Porto Alegre.

A rede planeja também aumentar a oferta de serviços financeiros em 2007. A empresa vai ampliar a oferta de seguros - hoje restrita a quem tem o cartão Hipercard - para todos os clientes e abrir quiosques para a venda do produto. Na área de crédito, Trius disse que os financiamentos em 10 vezes sem juros fazem parte do modelo de negócios brasileiro. Mas alertou, numa indireta a concorrentes: 'É preciso saber que a venda a crédito tem um custo e pode ser um perigo.' O Wal-Mart, disse, é conservador na área.

Trius ressaltou ainda que um eventual apagão do setor elétrico em 2008, como se discute no País, pode afetar os planos de investimentos da rede nos próximos anos. 'Em 2007, o mínimo que o governo fizer será melhor do que em 2006', disse Trius. Ele desmentiu rumores de que deixaria o cargo. 'Em 2007, estarei aqui'.
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